Princípios de Disciplina Bíblica
14 - Princípios de Disciplina Bíblica na Igreja (1 Co 5.1-13)
Uma
das doenças mais temidas na história da humanidade chama-se lepra,
ou, hoje,
Hanseniese.
Em 1979 tive a oportunidade de pregar
numa colônia de pessoas leprosas na África. Defrontei com as
conseqüências trágicas de uma doença que desfigura o corpo
humano.
Descobri que, além dos danos provocados na pele pela
bactéria em si, pior ainda são os resultados da insensibilidade
nervosa. Em outras palavras, a doença provoca uma
dessensibilização que faz com que a pessoa se danifique e não
sinta nada.
O texto
que vamos estudar adverte contra uma doença que chamo de “Lepra
espiritual”. É uma insensibilidade ao pecado, uma tolerância
do pecado, tanto na família como na igreja.
Trata-se de pecado
não-disciplinado. Quando não disciplinamos nossos filhos, nós
os condenamos à insensibilidade ao pecado. Quando não
disciplinamos os membros da família de Deus, na igreja, os
condenamos à doença contagiosa de lepra espiritual.
O pai
que não disciplina seus filhos, condena-os a serem disciplinados
pelo mundo afora. Quem não apanha em casa, debaixo da mão
firme mas amorosa do papai e da mamãe, apanha lá fora, debaixo da
mão muito mais severa e nem um pouco amorosa.
O mesmo princípio aplica-se à família de Deus.
A ilustração
predileta na Bíblia para a igreja é de uma família. Assim
como na família tem que haver disciplina se seus membros vão
desviar-se do mal, também deve haver haver disciplina na igreja se
seus membros vão temer a Deus e criar sensibilidade espiritual.
Mas alguns
rejeitam esse princípio. Da mesma forma como alguns fazem
campanha contra disciplina corporal na família, há daqueles que creem que disciplina corporal, ou seja, disciplina aplicada pelo
Corpo de Cristo, é a antítese da graça. Mas revelam uma
compreensão distorcida da graça de Deus.
Graça só faz
sentido no contexto de justiça! Onde não existe justiça,
graça não faz sentido.
Disciplina
é um exercício de amor e graça, libertando o pecador da escravidão
do pecado.
Chegamos num
texto polêmico em nossos estudos em 1 Coríntios que trata dessa
última questão: disciplina na igreja (1 Co 5.)
Contexto: Tendo
tratado de problemas mais “filosóficos” de divisão na igreja,
nos cps. 5 e 6 Paulo fala sobre problemas bem mais
específicos, dificuldades
e desgraças na
família de Deus.
No final
do cp. 4 Paulo adotou a atitude de um pai espiritual carinhoso, um
pai que ama tanto seus filhos que não admite que fiquem sem
disciplina e correção (4.14,21). Como Provérbios diz, “O que
retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo o
disciplina” (Pv 13.24). A igreja é uma família. Por
isso, 1 Coríntios 5 trata do difícil problema do que fazer com
membros da igreja, a família de Deus, que vivem em pecado.
Como lidar com pecado na igreja local?
Assim como
muitas igrejas hoje, a igreja em Corinto havia optado pelo caminho
mais fácil. Em nome da graça e da tolerância haviam decidido não
fazer absolutamente nada para limpar a igreja do pecado.
Talvez
pensavam que, pelo fato de que o espírito já era salvo, não
importava o que faziam com seus corpos. Talvez achavam que, uma
vez que chegaram num patamar de compreensão espiritual da graça,
tinham total liberdade para fazer com o corpo o que bem entendiam.
Talvez haviam caído no erro do “pré-modernismo”--uma vida sem
absolutos, sem padrão, mas de tolerância total do pecado.
Mas Paulo,
quando ouviu o relatório de pessoas da casa de Cloe (1.13) não se
continha. Ele escreveu esses capítulos do livro justamente
para corrigir idéias errôneas sobre a igreja, seu testemunho na
comunidade, e o lugar de disciplina na família de Deus.
Hoje vamos
descobrir 5
princípios de disciplina para a família de Deus na igreja
local.
Vamos
descobrir que Disciplina
bíblica é uma questão famíliar que visa restaurar a
reputação de Jesus e o pecador ao Senhor.
I. Disciplina Bíblica Envolve Denúncia Pública e Apropriada do Pecado (5.1-4)
“Geralmente
se ouve” --
a palavra traz a idéia de “chegou a esse ponto”; “de fato”;
“acredite eu ou não!” Deixa claro que o pecado foi
abertamente ventilado na comunidade. O testemunho da igreja
estava em jogo, e com ele, o nome e a reputação de Jesus Cristo.
As
más notícias se espalham!
A situação
envolvia imoralidade. A palavra pode ser abrangente, tratando
de qualquer tipo de fornicação ou aberração fora do plano de Deus
para a vida sexual. Mas Paulo define o caso específico como
sendo de incesto.
“possuir
a mulher de seu próprio pai”—Parece
que alguém da igreja, um suposto irmão, estava dormindo com sua
madrasta. Sabemos que foi com a madrasta porque não diz, “com
sua própria mãe.” Também parece que ela ainda era casada
com o pai dele, pois é chamada “a mulher de seu próprio pai”.
Alguns acham que houve divórcio ou morte do pai, mas não sabemos.
Mas, conforme lemos no VT, foi um ato de incesto, confusão e desonra
ao pai (Dt. 27.20, 22.30, Lv 18.6,8). O que
deixa o apóstolo ainda mais indignado é o fato de que, nem entre os
gentios pagãos, alguém ousaria fazer tal coisa. Códigos
civis da época proibíam tal besteira. Mas a igreja em Corinto
ficou orgulhosa por esse exemplo de tolerância! (Ler vs. 2)
A denúncia
de Paulo nos vss. que seguem deixa claro que pecado público, que
envolve e denigre o nome de Cristo na igreja local, tem que ser
tratado publica e abertamente.
O “cristão” é um “pequeno
cristo” na comunidade, intimamente associado com Cristo e com a
igreja local. Somos vigiados pela comunidade ao nosso redor,
gostando ou não! Não adianta varrer os problemas debaixo do
tapete, como tantas igrejas tentam fazer hoje—ignorar o problema,
na esperança de que vá embora. Quando um pecado afeta o bom
nome de Cristo na igreja local, precisa ser tratado aberta e
definitivamente.
“andais
vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar”—Em
vez de confrontar o pecado e o pecador, em vez de lamentar (a palavra
é forte, e traz a idéia de luto num velório, como se um membro da
família tivesse morrido), eles andavam estufando seu peito como se
fossem os “bons”! Por algum deslize incompreensível,
achavam que “o amor cobre multidão de pecados”—mas não
pecados confessados e, sim, abertos, públicos, e sujos!
E o tempo todo, o leproso estava contaminado o corpo, a família, da
igreja local e o nome de Jesus!
No
VT: Eli,
Samuel, Davi, pais
de família que condenaram seus filhos à lepra espiritual por não
confrontarem, corrigirem e disciplinarem seus filhos.
“Que
fosse tirado do vosso meio . . .” Como
devia ser tratado esse pecado aberto, público? "
Vss.
2b-4 mostram
o caminho da disciplina. Parece muito duro, abrupto e até
mesmo precipitado. Por que Paulo não aconselhou 3 visitas na
casa do ofensor? Por que não seguiu os passos de Mt 18?
Por que ele não “paparicou” o pecador para ver se não voltasse
à igreja? A Bíblia não diz que não devemos julgar nosso
irmão?
Ao invés
disso, Paulo julga o ofensor, e afirma que está fazendo isso dentro
da autoridade do nome de Jesus (conforme o próprio Jesus faria).
Temos que entender que a Bíblia nos manda não julgar os motivos e
as motivações do coração do irmão e do ministro do Evangelho.
Mas nos chama, sim, para julgar pecado, discipliná-lo, quando esse
se encontra na família de Deus.
A
disciplina tem que ser severa, em casos de pecados graves, porque os
resultados de não disciplinar são muito piores!
Mt
18.15-20 diz
que, quando o irmão peca “contra ti”, devemos primeiro abordá-lo
particularmente, depois com uma testemunha, e finalmente para a
igreja toda. Gal 6.1 também nos instrui a abordar um irmão
que for “supreendido” numa falha para corrigi-lo e restaurá-lo.
Mas repare que os textos tratam de pecado particular, ou inesperado,
que ainda dá para resolver entre os dois, e que não envolve um
líder da igreja (1 Tm 5.19,20). Mas, em 1 Co 5, o ofensor já
sabia que estava errado, mas pecava assim mesmo.
Pecado
aberto, claramente conhecido como pecado, mas repetidamente cometido
por um suposto irmão, que não se arrepende, membro da família,
merece uma disciplina imediate, severa e pública.
Em 1
Co 5 Paulo
lida com um pecado que envolveu o nome de TODA a igreja, um pecado
suficientemente grave, em que o pecador não se arrependeu. Paulo
pula todos os passos de Mt 18 e
vai diretamente para o único passo que, nesta altura, seria capaz de
restaurar o ofensor e o nome da igreja! Parece ser o caso
quando se trata de pecado aberto, claramente conhecido como pecado,
mas sem arrependimento, como no caso de imoralidade.
(11) Alguns
exemplos de pecados que merecem esse tipo de tratamento estão
alistados no vs. 11: impureza
(sexual),
avareza (falta de ética nos negócios), idolatria, fofoca
(maldizente), beberricá, roubo. Entendemos esse
princípio na prática se não na teoria. Imagine o pai
chamando seu filho de lado e dizendo, “Filho, sei que nunca te
falei. Mas arrancar todo o cabelo da sua irmã não é coisa
boa. Agora quero que você se sinta nesta cadeira por 5
minutos, refletindo na vida.”
Da mesma
forma, existem casos na igreja que são suficientemente sérios que
envolvem disciplina imediata e severa, para preservar a reputação
de Jesus Cristo associada a igreja local.
É interessante
que Paulo vai um pouco além. 1
Tm 5.19,20 deixa
claro que pecado na vida de uma figura pública na igreja, um líder
espiritual, também precisa ser tratado abertamente, mesmo que o
pecado fosse particular, justamente para que todos aprendam a
seriedade do pecado e a responsabilidade de ser um embaixador de Deus
diante dos homens.
Uma palavra
de cautela: Quando falamos em tratar publicamente o pecado, não quer
dizer que vamos falar publicamente tudo que o pecador fez. Ef
5.12 diz
que é vergonhoso falar abertamente sobre algumas coisas que
pecadores fazem aos ocultos. Temos que tomar muito cuidado para
não fazer do pecado uma isca atraente, uma curiosidade, ou um
escândalo na igreja.
II. A Disciplina Bíblica Visa Preservar a Igreja (5.1,2, 6-8)
A. O TESTEMUNHO DA IGREJA (1-2)
A disciplina visa preservar o testemunho da igreja diante daqueles que estão fora dela. Paulo deixa claro que o pecado se tornara público (1), que eles deveriam ter lamentado disso (2), e que a presença do pecado no meio deles iria contaminar a igreja toda (5,6).
Temos que
lembrar da posição da igreja no primeiro século. Foi uma
entidade totalmente inédita, desconhecida, considerada esquisita ou,
pior, uma seita perigosa. Qualquer boato ou crítica poderia
prejudicar o testemunho de Jesus e condenar milhares para o inferno.
O pecado na vida do crente não é uma brincadeira. Temos que ser
zelosos pelo nome de Cristo, pois o destino de todos ao nosso redor
depende disso!
Somos faróis
no meio de um mar em tempestade, a única esperança de vida para
pessoas afogando no pecado. Se a lanterna apagar, ou ficar
suja, o que será deles por toda a eternidade? Sujeira na
igreja não é brincadeira, mas uma responsabilidade eterna!
Paulo
não tolerava aqueles que toleravam pecado aberto em seu meio!
Assim como
os pais precisam obedecer a Deus na disciplina dos seus filhos, os
líderes da igreja precisam obedecer a Jesus na disciplina de seus
membros. Não temos escolha, a não ser que queiramos
desobedecer a Deus. Na disciplina dos nossos filhos fazemos
isso. Quando o filho erra, falamos, “O que Deus pede para
mamãe (ou papai) fazer . . .
?” A resposta é
“Disciplina”.
B.
A Saúde (Purificação) da Igreja (6-8)
A
disciplina também visa purificar a igreja e proteger os próprios
membros de contaminação com o pecado.
A lepra
era (e é) uma doença contagiosa. Por isso, nos tempos
bíblicos, a pessoa leprosa ficava afastada dos outros. Mas, não
é uma doença facilmente contraída. Exige contato prolongado
e íntimo com a pessoa infeccionada. Creio que é por isso que
Paulo exige que o pecado seja tirado do meio dos irmãos, para não
contagiá-los.
Ler
6-8.
A disciplina
visa espalhar o temor a Deus no coração de todos (veja 1
Tm 5.19,20). A
presença de pecado abertamente tolerado pela liderança da igreja
barateia a graça, anula a santidade e soberania de Cristo, e mina o
propósito da igreja. Outros pecadores serão influenciados.
Assim como um pouco de fermento na massa de pão eventualmente
espalha para permear tudo, o pecado espalha quando tolerado na
igreja.
O mau exemplo de um contaminará a outros.
Um fruto podre contaminará toda a cesta de frutos. Um câncer
não detectado e tratado irá espalhar pelo corpo inteiro.
Talvez por isso encontramos tantas igrejas doentias hoje.
Perdemos o hábito de disciplina bíblica e familiar na igreja.
Mas disciplina
bíblica, séria, graciosa, servirá como lição para os demais.
Manterá a santidade providenciada pelo sacrifício de Cristo (vs.
8). Assim como o irmão mais novo aprende quando vê seu irmão
sendo disciplinado; assim como o simples em Provérbios pode aprender
quando vê o tolo sendo disciplinado; da mesma forma a igreja aprende
a correr do pecado quando vê disciplina bíblica levado à sério.
Essa é
uma das maiores carências que vejo na igreja hoje. Nos EUA,
praticamente não se ouve mais de disciplina na igreja local. O
medo de processos, litigios e mais é tão grande, que as igrejas não
mais disciplinam seus membros. Infelizmente, a igreja brasileira
caminha na mesma direção.
III.
Disciplina Bíblica Restringe-se à Família de Deus (9-13)
Paulo
deixa bem claro que disciplina começa com a família de Deus, pelo
menos com aqueles que têm algum vínculo com a igreja local.
Ler 9-13
Na família,
minha responsabilidade é disciplinar meus próprios filhos, não os
filhos do vizinho. Os pais deles é que têm que cuidar deles.
Já tenho muito trabalho cuidando da minha própria casa! Da
mesma forma, a família de crentes em Corinto foi responsável por
disciplinar seus próprios membros, não os de fora.
Havia uma
dúvida entre os coríntios quanto a isso, por causa de uma carta
anterior que o Apóstolo havia escrito, mas que não existe hoje.
Ele tinha comentado que, para manter o testemunho da igreja limpo, os
crentes não deviam se associar com os impuros. Mas ele nunca
quis dizer que eles deviam separar-se dos impuros do mundo, mas dos
impuros da própria igreja!
Ironia: Nós
nos separamos dos “pecadores do mundo” (que devem ser alvos de
evangelismo) e não dos “pecadores da igreja” que são alvos de
disciplina.
Disciplina começa com a casa de Deus! Somos
uma família, e a família cuida dos seus membros, advertindo-os e
disciplinando-os para não caírem nas armadilhas do diabo. Mas
nós não nos separamos dos incredulous. Ninguém espera que
eles viverão a vida cristã. Seu mau testemunho não afeta em
nada a reputação de Cristo na igreja.
Encontramos muitos
cristãos hoje que ficam mais preocupados em limpar o mundo do que
limpar a igreja! Fazem marchas para Jesus, campanhas políticas,
baixo-assinados e muito mais na tentativa de limpar a sociedade.
Outros afastam-se totalmente dos incredulous, e formam seus pequenos
clubes evangélicos para não ter que lidar com a sujeira do mundo.
Mas Paulo diz que a limpeza deve começar na nossa casa, e não na
rua! Deus há de julgar os que são de fora, mas Ele deu para
nós a responsabilidade de cuidar da nossa casa. Disciplina
é um negócio de família, para seus membros e não os filhos do
mundo.
IV.
Disciplina Bíblica Envolve Separação Visando Restauração (5.2b,
5, 7a,
9-10)
Mas
o que é a disciplina bíblica? O texto deixa claro que é
exclusão dos benéficios da comunhão da igreja, visando uma
restauração da reputação de Jesus e do pecador à comunidade.
A. Separação do Pecador
5.2
tirado
5.5 entregue a Satanás
5.7 lancai fora
5.11
nem comais
5.13 expulsai
Trata-se de
um ato formal, público, unânime da igreja local, em nome de Jesus
(conforme a Palavra dEle e como Ele faria). Mt. 18.18-20 diz
que quando 2 ou 3 concordam sobre uma questão de discipina (como
testemunhas) Deus estará no meio, afirmando a disciplina.
Assim como
a pessoa leprosa foi mantido à distância para não contaminar os
outros, o pecador precisa ficar fora da comunidade local.
Contexto: Naquele
contexto, exclusão da comunhão da igreja foi muito séria. As
pessoas já haviam sido margenalizadas por terem aceito Cristo.
Seria difícil voltar para seus velhos amigos. Ao mesmo tempo,
diferente que os dias de hoje, não podiam simplesmente transferir
sua membresia para a igreja na esquina. Não havia outra igreja
na esquina! “Fora” significava fora mesmo, exposto ao mundo, na
esfera do diabo, sem amigos, sem apoio, sem comunhão, considerado
como um leproso pelos irmãos da igreja. Esse tratamento de
choque foi feito justamente para fazer com que o pecador caísse em
si mesmo, e sentisse tamanho burrice do seu caminho, e voltasse
correndo para a comunhão e proteção da igreja.
“entregue
a Satanás”-- Paulo
quer que o ofensor seja tirado do círculo de proteção e comunhão
que é a igreja local, removido de debaixo do guarda-chuva de
proteção divina da igreja, e colocado, exposto, às chuvas
diabólicas. O processo deve ser tão doloroso, tão
prejudicial à saúde espiritual, emocional e física do homem, que
mesmo sofrendo destruição física, sua alma encontrará salvação
eterna.
É difícil
entender esse processo. Mas sabemos que há disciplina física
por pecado, às vezes levando até a morte (1 Jo 5.16,17, 19;1 Co
11.30; Tg 5.13 ss.)
Mateus diz
que seria tratado com “publicano e pecador”, ou seja, alguém
totalmente repudiado e rejeitado (não como alguns dizem, torcendo as
Escrituras, que devia ser paparicado para atraí-lo de novo para a
fé.)
B. Restauração
Ler
5.5. Existe uma
diferença entre castigo e punição.
Na
família, não
punimos nossos filhos. Não nos vingamos deles. Não
procuramos o mal, mas o bem deles. Não procuramos
envergonhá-los desnecessariamente.
Da mesma forma, disciplina
na família de Deus visa restaurar seus membros para comunhão plena
com a família e com Deus.
Não fazemos isso para machucar,
envergonhar, ou ferir, mas restaurar. Mas restauração envolve
dor. Por exemplo, Pv
19.19 diz,
“Homem de ira tem de sofrer o dano, pois se tu o livrares, voltará
a repeti-lo de novo.”
Restauração acontece
em dois níveis:
1) Restaurar
a reputação de Jesus na
comunidade local (1,2)
2) Restaurar
o pecador à comunhão com
Jesus e com a comunidade local (5)
Aqui encontramos
a graça de Deus. Mesmo que um membro da igreja tenha sujado o
nome de Cristo e da igreja local; mesmo que isso tenha prejudicado a
reputação da igreja na comunidade; ainda existe esperança para o
pecador.
A disciplina bíblica visa preservar o testemunho de
Cristo na comunidade, mas também visa restaurar o pecador.
Queremos punir. Queremos nos vingar pela vergonha que causou a
nós, à igreja e a Cristo. Mas temos que perdoar, quando há
arrependimento genuíno.
2
Co 2.5-11 é
um texto importante na discussão. Na disciplina bíblica, tem
que haver eqüilíbrio. Somos severos, públicos e imediatos na
disciplina, mas também somos graciosos e imediatos na expressão de
amor quando o pecador arrepende-se. Satanás também pode
usar o excesso de disciplina para derrubar a igreja e seus membros.
Não sabemos se a mesma situação está em vista em 2 Co 2, mas o
princípio se aplica. O que
constuti arrependimento genuíno? À luz de 1 Co 5 e 2 Co 2,
além da experiência de disciplina no contexto do lar, quero sugerir
que envolve:
1) Confissão do
pecado (dizer a mesma coisa que Deus diz sobre ela, sem desculpas)
2) Humildade
em pedir perdão (“Pai,
pequei contra Deus e contra o senhor”)
3) Tristeza
genuína (não
por que foi pego; a ficha precisa cair da seriedade da ofensa)
4) Submissão
à disciplina estabelecida
pela liderança local
Quando há
dúvida, devemos errar ao lado da restauração, sem ser cínicos ou
céticos, mas também sem ser bobos.
Entenda que
Paulo não dá a opção de um meio termo aqui. O pecador não
arrependido deve ser totalmente margenalizado, tirado do meio da
igreja para não continuar sujando o nome da igreja.
Cautela: Mas
uma vez restaurado, ele não dá a opção de ter
o homem na igreja mas ainda tratado como publicano.
Francamente, não vejo espaço para essa posição nas Escrituras.
Se está fora, está fora mesmo. Se está dentro, deve ser
recebido, acolhido, perdoado e abraçado, mesmo que seu pecado ainda
implique em limitações quanto ao envolvimento nos ministérios da
igreja. Na família, recebemos o filho arrependido de volta,
com braços abertos, com carinho e afirmação de amor. Mas
também há conseqüências. Perde certos privilégios por um
tempo. Talvez não possa brincar fora; ou assistir tal programa;
ou passear com o amigo. Continua filho, não deve ficar “de
castigo” e afastado, mas perde certos privilégios.
Conclusão:
Lepra espiritual
. . . uma doença fatal se não tratada. Insensibilidade ao
pecado acaba destruindo a igreja local de dentro para fora.
Torna-se uma igreja desmembrada, deficiente, insensível,
paralítica.
Idéia:
Disciplina bíblica é uma questão famíliar que visa restaurar a reputação de Jesus
14 - Princípios de Disciplina Bíblica na Igreja (1 Co 5.1-13)
Princípios
de Disciplina Bíblica
1
Co 5.1-13
Pr.
Davi Merkh
Uma
das doenças mais temidas na história da humanidade chama-se lepra,
ou, hoje, Hanseniese. Em 1979 tive a oportunidade de pregar
numa colônia de pessoas leprosas na África. Defrontei com as
conseqüências trágicas de uma doença que desfigura o corpo
humanoo.
Descobri que, além dos danos provocados na pele pela
bactéria em si, pior ainda são os resultados da insensibilidade
nervosa. Em outras palavras, a doença provoca uma
dessensibilização que faz com que a pessoa se danifique e não
sinta nada. O texto
que vamos estudar adverte contra uma doença que chamo de “Lepra
espiritual”.
É uma insensibilidade ao pecado, uma tolerância
do pecado, tanto na família como na igreja. Trata-se de pecado
não-disciplinado. Quando não disciplinamos nossos filhos, nós
os condenamos à insensibilidade ao pecado. Quando não
disciplinamos os membros da família de Deus, na igreja, os
condenamos à doença contagiosa de lepra espiritual.
O pai
que não disciplina seus filhos, condena-os a serem disciplinados
pelo mundo afora. Quem não apanha em casa, debaixo da mão
firme mas a
morosa do papai e da mamãe, apanha lá fora, debaixo da
mão muito mais severa e nem um pouco amorosa.
O mesmo
princípio aplica-se à família de Deus. A ilustração
predileta na Bíblia para a igreja é de uma família. Assim
como na família tem que haver disciplina se seus membros vão
desviar-se do mal, também deve haver haver disciplina na igreja se
seus membros vão temer a Deus e criar sensibilidade espiritual.
Mas alguns
rejeitam esse princípio. Da mesma forma como alguns fazem
campanha contra disciplina corporal na família, há daqueles que
creêm que disciplina corporal, ou seja, disciplina aplicada pelo
Corpo de Cristo, é a antítese da graça. Mas revelam uma
compreensão distorcida da graça de Deus.
Graça só faz
sentido no contexto de justiça! Onde não existe justiça,
graça não faz sentido.
Disciplina
é um exercício de amor e graça, libertando o pecador da escravidão
do pecado.
Chegamos num
texto polêmico em nossos estudos em 1 Coríntios que trata dessa
última questão: disciplina na igreja (1 Co 5.)
Contexto: Tendo
tratado de problemas mais “filosóficos” de divisão na igreja,
nos cps. 5 e 6 Paulo fala sobre problemas bem mais
específicos, dificuldades
e desgraças na
família de Deus.
No final
do cp. 4 Paulo adotou a atitude de um pai espiritual carinhoso, um
pai que ama tanto seus filhos que não admite que fiquem sem
disciplina e correção (4.14,21). Como Provérbios diz, “O que
retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo o
disciplina” (Pv 13.24). A igreja é uma família. Por
isso, 1 Coríntios 5 trata do difícil problema do que fazer com
membros da igreja, a família de Deus, que vivem em pecado.
Como lidar com pecado na igreja local?
Assim como
muitas igrejas hoje, a igreja em Corinto havia optado pelo caminho
mais fácil. Em nome da graça e da tolerância haviam decidido não
fazer absolutamente nada para limpar a igreja do pecado. Talvez
pensavam que, pelo fato de que o espírito já era salvo, não
importava o que faziam com seus corpos. Talvez achavam que, uma
vez que chegaram num patamar de compreensão espiritual da graça,
tinham total liberdade para fazer com o corpo o que bem entendiam.
Talvez haviam caído no erro do “pré-modernismo”--uma vida sem
absolutos, sem padrão, mas de tolerância total do pecado.
Mas Paulo,
quando ouviu o relatório de pessoas da casa de Cloe (1.13) não se
continha. Ele escreveu esses capítulos do livro justamente
para corrigir idéias errôneas sobre a igreja, seu testemunho na
comunidade, e o lugar de disciplina na família de Deus.
Hoje vamos
descobrir 5
princípios de disciplina para a família de Deus na igreja
local. Vamos
descobrir que
Disciplina bíblica é uma questão famíliar que visa restaurar a reputação de Jesus e o pecador ao Senhor.
I. Disciplina Bíblica Envolve Denúncia Pública e Apropriada do Pecado (5.1-4)
“Geralmente
se ouve” --
a palavra traz a idéia de “chegou a esse ponto”; “de fato”;
“acredite eu ou não!” Deixa claro que o pecado foi
abertamente ventilado na comunidade. O testemunho da igreja
estava em jogo, e com ele, o nome e a reputação de Jesus Cristo.
As
más notícias se espalham!
A situação
envolvia imoralidade. A palavra pode ser abrangente, tratando
de qualquer tipo de fornicação ou aberração fora do plano de Deus
para a vida sexual. Mas Paulo define o caso específico como
sendo de incesto.
“possuir
a mulher de seu próprio pai”—Parece
que alguém da igreja, um suposto irmão, estava dormindo com sua
madrasta. Sabemos que foi com a madrasta porque não diz, “com
sua própria mãe.” Também parece que ela ainda era casada
com o pai dele, pois é chamada “a mulher de seu próprio pai”.
Alguns acham que houve divórcio ou morte do pai, mas não sabemos.
Mas, conforme lemos no VT, foi um ato de incesto, confusão e desonra
ao pai (Dt. 27.20, 22.30, Lv 18.6,8). O que
deixa o apóstolo ainda mais indignado é o fato de que, nem entre os
gentios pagãos, alguém ousaria fazer tal coisa. Códigos
civis da época proibíam tal besteira. Mas a igreja em Corinto
ficou orgulhosa por esse exemplo de tolerância! (Ler vs. 2)
A denúncia
de Paulo nos vss. que seguem deixa claro que pecado público, que
envolve e denigre o nome de Cristo na igreja local, tem que ser
tratado publica e abertamente. O “cristão” é um “pequeno
cristo” na comunidade, intimamente associado com Cristo e com a
igreja local. Somos vigiados pela comunidade ao nosso redor,
gostando ou não! Não adianta varrer os problemas debaixo do
tapete, como tantas igrejas tentam fazer hoje—ignorar o problema,
na esperança de que vá embora.
Quando um pecado afeta o bom
nome de Cristo na igreja local, precisa ser tratado aberta e
definitivamente.
“andais
vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar”—Em
vez de confrontar o pecado e o pecador, em vez de lamentar (a palavra
é forte, e traz a idéia de luto num velório, como se um membro da
família tivesse morrido), eles andavam estufando seu peito como se
fossem os “bons”! Por algum deslize incompreensível,
achavam que “o amor cobre multidão de pecados”—mas não
pecados confessados e, sim, abertos, públicos, e sujos!
E o tempo todo, o leproso estava contaminado o corpo, a família, da
igreja local e o nome de Jesus!
No
VT: Eli,
Samuel, Davi, pais
de família que condenaram seus filhos à lepra espiritual por não
confrontarem, corrigirem e disciplinarem seus filhos.
“Que
fosse tirado do vosso meio . . .”Como
devia ser tratado esse pecado aberto, público?
Vss.
2b-4 mostram
o caminho da disciplina. Parece muito duro, abrupto e até
mesmo precipitado. Por que Paulo não aconselhou 3 visitas na
casa do ofensor? Por que não seguiu os passos de Mt 18?
Por que ele não “paparicou” o pecador para ver se não voltasse
à igreja? A Bíblia não diz que não devemos julgar nosso
irmão?
Ao invés
disso, Paulo julga o ofensor, e afirma que está fazendo isso dentro
da autoridade do nome de Jesus (conforme o próprio Jesus faria).
Temos que entender que a Bíblia nos manda não julgar os motivos e
as motivações do coração do irmão e do ministro do Evangelho.
Mas nos chama, sim, para julgar pecado, discipliná-lo, quando esse
se encontra na família de Deus.
A
disciplina tem que ser severa, em casos de pecados graves, porque os
resultados de não disciplinar são muito piores!
Mt
18.15-20 diz
que, quando o irmão peca “contra ti”, devemos primeiro abordá-lo
particularmente, depois com uma testemunha, e finalmente para a
igreja toda. Gal 6.1 também nos instrui a abordar um irmão
que for “supreendido” numa falha para corrigi-lo e restaurá-lo.
Mas repare que os textos tratam de pecado particular, ou inesperado,
que ainda dá para resolver entre os dois, e que não envolve um
líder da igreja (1 Tm 5.19,20). Mas, em 1 Co 5, o ofensor já
sabia que estava errado, mas pecava assim mesmo.
Pecado
aberto, claramente conhecido como pecado, mas repetidamente cometido
por um suposto irmão, que não se arrepende, membro da família,
merece uma disciplina imediate, severa e pública.
Em 1
Co 5 Paulo
lida com um pecado que envolveu o nome de TODA a igreja, um pecado
suficientemente grave, em que o pecador não se arrependeu. Paulo
pula todos os passos de Mt 18 e
vai diretamente para o único passo que, nesta altura, seria capaz de
restaurar o ofensor e o nome da igreja! Parece ser o caso
quando se trata de pecado aberto, claramente conhecido como pecado,
mas sem arrependimento, como no caso de imoralidade.
(11) Alguns
exemplos de pecados que merecem esse tipo de tratamento estão
alistados no vs. 11: impureza
(sexual), avareza (falta de ética nos negócios),
idolatria, fofoca
(maldizente), beberrice, roubo. Entendemos esse
princípio na prática se não na teoria. Imagine o pai
chamando seu filho de lado e dizendo, “Filho, sei que nunca te
falei. Mas arrancar todo o cabelo da sua irmã não é coisa
boa. Agora quero que você se sinta nesta cadeira por 5
minutos, refletindo na vida.”
Da mesma
forma, existem casos na igreja que são suficientemente sérios que
envolvem disciplina imediata e severa, para preservar a reputação
de Jesus Cristo associada a igreja local.
É interessante
que Paulo vai um pouco além.
1
Tm 5.19,20 deixa
claro que pecado na vida de uma figura pública na igreja, um líder
espiritual, também precisa ser tratado abertamente, mesmo que o
pecado fosse particular, justamente para que todos aprendam a
seriedade do pecado e a responsabilidade de ser um embaixador de Deus
diante dos homens.
Uma palavra
de cautela: Quando falamos em tratar publicamente o pecado, não quer
dizer que vamos falar publicamente tudo que o pecador fez. Ef
5.12 diz
que é vergonhoso falar abertamente sobre algumas coisas que
pecadores fazem aos ocultos. Temos que tomar muito cuidado para
não fazer do pecado uma isca atraente, uma curiosidade, ou um
escândalo na igreja.
II. A Disciplina Bíblica Visa Preservar a Igreja (5.1,2, 6-8)
A. O TESTEMUNHO DA IGREJA (1-2)
A disciplina
visa preservar o testemunho da igreja diante daqueles que estão fora
dela. Paulo deixa claro que o pecado se tornara público (1),
que eles deveriam ter lamentado disso (2), e que a presença do
pecado no meio deles iria contaminar a igreja toda (5,6).
Temos que
lembrar da posição da igreja no primeiro século. Foi uma
entidade totalmente inédita, desconhecida, considerada esquisita ou,
pior, uma seita perigosa. Qualquer boato ou crítica poderia
prejudicar o testemunho de Jesus e condenar milhares para o inferno.
O pecado na vida do crente não é uma brincadeira. Temos que ser
zelosos pelo nome de Cristo, pois o destino de todos ao nosso redor
depende disso!
Somos faróis
no meio de um mar em tempestade, a única esperança de vida para
pessoas afogando no pecado. Se a lanterna apagar, ou ficar
suja, o que será deles por toda a eternidade? Sujeira na
igreja não é brincadeira, mas uma responsabilidade eterna!
Paulo
não tolerava aqueles que toleravam pecado aberto em seu meio!
Assim como
os pais precisam obedecer a Deus na disciplina dos seus filhos, os
líderes da igreja precisam obedecer a Jesus na disciplina de seus
membros. Não temos escolha, a não ser que queiramos
desobedecer a Deus. Na disciplina dos nossos filhos fazemos
isso. Quando o filho erra, falamos, “O que Deus pede para
mamãe (ou papai) fazer . .
.?” A resposta é
“Disciplina”.
B.
A Saúde (Purificação) da Igreja (6-8)
A
disciplina também visa purificar a igreja e proteger os próprios
membros de contaminação com o pecado.
A lepra
era (e é) uma doença contagiosa. Por isso, nos tempos
bíblicos, a pessoa leprosa ficava afastada dos outros. Mas, não
é uma doença facilmente contraída. Exige contato prolongado
e íntimo com a pessoa infeccionada. Creio que é por isso que
Paulo exige que o pecado seja tirado do meio dos irmãos, para não
contagiá-los.
Ler
6-8.
A disciplina
visa espalhar o temor a Deus no coração de todos (veja 1
Tm 5.19,20).
A
presença de pecado abertamente tolerado pela liderança da igreja
barateia a graça, anula a santidade e soberania de Cristo, e mina o
propósito da igreja. Outros pecadores serão influenciados.
Assim como um pouco de fermento na massa de pão eventualmente
espalha para permear tudo, o pecado espalha quando tolerado na
igreja.
O mau exemplo de um contaminará a outros.
Um fruto podre contaminará toda a cesta de frutos. Um câncer
não detectado e tratado irá espalhar pelo corpo inteiro.
Talvez por isso encontramos tantas igrejas doentias hoje.
Perdemos o hábito de disciplina bíblica e familiar na igreja.
Mas disciplina
bíblica, séria, graciosa, servirá como lição para os demais.
Manterá a santidade providenciada pelo sacrifício de Cristo (vs.
8). Assim como o irmão mais novo aprende quando vê seu irmão
sendo disciplinado; assim como o simples em Provérbios pode aprender
quando vê o tolo sendo disciplinado; da mesma forma a igreja aprende
a correr do pecado quando vê disciplina bíblica levado à sério.
Essa é
uma das maiores carências que vejo na igreja hoje. Nos EUA,
praticamente não se ouve mais de disciplina na igreja local. O
medo de processos, litigios e mais é tão grande, que as igrejas não
mais disciplinam seus membros. Infelizmente, a igreja brasileira
caminha na mesma direção.
III.
Disciplina Bíblica Restringe-se à Família de Deus (9-13)
Paulo
deixa bem claro que disciplina começa com a família de Deus, pelo
menos com aqueles que têm algum vínculo com a igreja local.
Ler 9-13
Na família,
minha responsabilidade é disciplinar meus próprios filhos, não os
filhos do vizinho. Os pais deles é que têm que cuidar deles.
Já tenho muito trabalho cuidando da minha própria casa! Da
mesma forma, a família de crentes em Corinto foi responsável por
disciplinar seus próprios membros, não os de fora.
Havia uma
dúvida entre os coríntios quanto a isso, por causa de uma carta
anterior que o Apóstolo havia escrito, mas que não existe hoje.
Ele tinha comentado que, para manter o testemunho da igreja limpo, os
crentes não deviam se associar com os impuros. Mas ele nunca
quis dizer que eles deviam separar-se dos impuros do mundo, mas dos
impuros da própria igreja!
Ironia: Nós
nos separamos dos “pecadores do mundo” (que devem ser alvos de
evangelismo) e não dos “pecadores da igreja” que são alvos de
disciplina. Disciplina começa com a casa de Deus! Somos
uma família, e a família cuida dos seus membros, advertindo-os e
disciplinando-os para não caírem nas armadilhas do diabo. Mas
nós não nos separamos dos incredulous. Ninguém espera que
eles viverão a vida cristã. Seu mau testemunho não afeta em
nada a reputação de Cristo na igreja.
Encontramos muitos
cristãos hoje que ficam mais preocupados em limpar o mundo do que
limpar a igreja! Fazem marchas para Jesus, campanhas políticas,
baixo-assinados e muito mais na tentativa de limpar a sociedade.
Outros afastam-se totalmente dos incredulous, e formam seus pequenos
clubes evangélicos para não ter que lidar com a sujeira do mundo.
Mas Paulo diz que a limpeza deve começar na nossa casa, e não na
rua! Deus há de julgar os que são de fora, mas Ele deu para
nós a responsabilidade de cuidar da nossa casa. Disciplina
é um negócio de família, para seus membros e não os filhos do
mundo.
IV.
Disciplina Bíblica Envolve Separação Visando Restauração (5.2b,
5, 7a,
9-10)
Mas
o que é a disciplina bíblica? O texto deixa claro que é
exclusão dos benefícios da comunhão da igreja, visando uma restauração da reputação de Jesus e do pecador à comunidade.
A. Separação do Pecador
5.2
tirado
5.5 entregue a Satanás
5.7 lancai fora
5.11
nem comais
5.13 expulsai
Trata-se de
um ato formal, público, unânime da igreja local, em nome de Jesus
(conforme a Palavra dEle e como Ele faria). Mt. 18.18-20 diz
que quando 2 ou 3 concordam sobre uma questão de discipina (como
testemunhas) Deus estará no meio, afirmando a disciplina.
Assim como
a pessoa leprosa foi mantido à distância para não contaminar os
outros, o pecador precisa ficar fora da comunidade local.
Contexto: Naquele
contexto, exclusão da comunhão da igreja foi muito séria. As
pessoas já haviam sido margenalizadas por terem aceito Cristo.
Seria difícil voltar para seus velhos amigos.
Ao mesmo tempo,
diferente que os dias de hoje, não podiam simplesmente transferir
sua membresia para a igreja na esquina. Não havia outra igreja
na esquina! “Fora” significava fora mesmo, exposto ao mundo, na
esfera do diabo, sem amigos, sem apoio, sem comunhão, considerado
como um leproso pelos irmãos da igreja. Esse tratamento de
choque foi feito justamente para fazer com que o pecador caísse em
si mesmo, e sentisse tamanho burrice do seu caminho, e voltasse
correndo para a comunhão e proteção da igreja.
“entregue
a Satanás”-- Paulo
quer que o ofensor seja tirado do círculo de proteção e comunhão
que é a igreja local, removido de debaixo do guarda-chuva de
proteção divina da igreja, e colocado, exposto, às chuvas
diabólicas. O processo deve ser tão doloroso, tão
prejudicial à saúde espiritual, emocional e física do homem, que
mesmo sofrendo destruição física, sua alma encontrará salvação
eterna.
É difícil
entender esse processo. Mas sabemos que há disciplina física
por pecado, às vezes levando até a morte (1 Jo 5.16,17, 19;1 Co
11.30; Tg 5.13 ss.)
Mateus diz
que seria tratado com “publicano e pecador”, ou seja, alguém
totalmente repudiado e rejeitado (não como alguns dizem, torcendo as
Escrituras, que devia ser paparicado para atraí-lo de novo para a
fé.)
B. Restauração
Ler
5.5. Existe uma
diferença entre castigo e punição.
Na
família, não
punimos nossos filhos. Não nos vingamos deles. Não
procuramos o mal, mas o bem deles. Não procuramos
envergonhá-los desnecessariamente.
Da mesma forma, disciplina
na família de Deus visa restaurar seus membros para comunhão plena
com a família e com Deus. Não fazemos isso para machucar,
envergonhar, ou ferir, mas restaurar. Mas restauração envolve
dor. Por exemplo, Pv
19.19 diz,
“Homem de ira tem de sofrer o dano, pois se tu o livrares, voltará
a repeti-lo de novo.”
Restauração acontece
em dois níveis:
1) Restaurar
a reputação de Jesus na
comunidade local (1,2)
2) Restaurar
o pecador à comunhão com
Jesus e com a comunidade local (5)
Aqui encontramos
a graça de Deus. Mesmo que um membro da igreja tenha sujado o
nome de Cristo e da igreja local; mesmo que isso tenha prejudicado a
reputação da igreja na comunidade; ainda existe esperança para o
pecador. A disciplina bíblica visa preservar o testemunho de
Cristo na comunidade, mas também visa restaurar o pecador.
Queremos punir. Queremos nos vingar pela vergonha que causou a
nós, à igreja e a Cristo. Mas temos que perdoar, quando há
arrependimento genuíno.
2
Co 2.5-11 é
um texto importante na discussão. Na disciplina bíblica, tem
que haver eqüilíbrio. Somos severos, públicos e imediatos na
disciplina, mas também somos graciosos e imediatos na expressão de
amor quando o pecador arrepende-se. Satanás também pode
usar o excesso de disciplina para derrubar a igreja e seus membros.
Não sabemos se a mesma situação está em vista em 2 Co 2, mas o
princípio se aplica. O que
constuti arrependimento genuíno? À luz de 1 Co 5 e 2 Co 2,
além da experiência de disciplina no contexto do lar, quero sugerir
que envolve:
1) Confissão do
pecado (dizer a mesma coisa que Deus diz sobre ela, sem desculpas)
2) Humildade
em pedir perdão (“Pai,
pequei contra Deus e contra o senhor”)
3) Tristeza
genuína (não
por que foi pego; a ficha precisa cair da seriedade da ofensa)
4) Submissão
à disciplina estabelecida
pela liderança local
Quando há
dúvida, devemos errar ao lado da restauração, sem ser cínicos ou
céticos, mas também sem ser bobos.
Entenda que
Paulo não dá a opção de um meio termo aqui.
O pecador não
arrependido deve ser totalmente margenalizado, tirado do meio da
igreja para não continuar sujando o nome da igreja.
Cautela: Mas
uma vez restaurado, ele não dá a opção de ter
o homem na igreja mas ainda tratado como publicano.
Francamente, não vejo espaço para essa posição nas Escrituras.
Se está fora, está fora mesmo. Se está dentro, deve ser
recebido, acolhido, perdoado e abraçado, mesmo que seu pecado ainda
implique em limitações quanto ao envolvimento nos ministérios da
igreja.
Na família, recebemos o filho arrependido de volta,
com braços abertos, com carinho e afirmação de amor. Mas
também há conseqüências. Perde certos privilégios por um
tempo. Talvez não possa brincar fora; ou assistir tal programa;
ou passear com o amigo. Continua filho, não deve ficar “de
castigo” e afastado, mas perde certos privilégios.
Conclusão:
Lepra espiritual
. . .
uma doença fatal se não tratada.
Insensibilidade ao
pecado acaba destruindo a igreja local de dentro para fora.
Torna-se uma igreja desmembrada, deficiente, insensível,
paralítica.
Idéia:
Disciplina bíblica é uma questão famíliar que visa restaurar a reputação de Jesus e o pecador ao Senhor.
e o pecador ao Senhor.
Pastor Pedro Alves
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